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Diabetes gestacional · Guia completo

Diabetes gestacional: o que é, diagnóstico, tratamento e alimentação

Por Ana Paula de Freitas, especialista em nutrição materna · CRN 3-33103 Revisado em · Leitura de 5 minutos
Gestante sorrindo à mesa da cozinha com um prato equilibrado de salada, tomate, abacate, ovos mexidos e pão integral, ao lado de iogurte com frutas, castanhas e um copo de água

Receber o diagnóstico de diabetes gestacional costuma vir junto com muitas dúvidas e, às vezes, com medo de comer. A boa notícia é que, com informação e acompanhamento, dá para cuidar da glicemia comendo bem. Neste guia, explico o que é, como é feito o diagnóstico, como funciona o tratamento e o que muda na alimentação.

O que é diabetes gestacional?

Diabetes gestacional é o aumento da glicose (açúcar) no sangue que aparece pela primeira vez durante a gravidez. Ele acontece porque a placenta produz hormônios que deixam o corpo mais resistente à ação da insulina, o hormônio que leva a glicose do sangue para dentro das células.

Essa resistência é natural e ajuda a garantir energia para o bebê. Em algumas mulheres, porém, o pâncreas não consegue produzir insulina suficiente para compensar, e a glicemia sobe. Por isso o diabetes gestacional costuma aparecer a partir do segundo trimestre, quando os hormônios da placenta estão mais altos.

É mais comum do que parece: estima-se que cerca de 18% das gestantes atendidas no SUS tenham diabetes gestacional.

Quem tem mais risco?

Qualquer gestante pode ter diabetes gestacional, e por isso o exame faz parte do pré-natal de todas. Alguns fatores aumentam a chance:

  • Idade acima de 35 anos.
  • Sobrepeso ou obesidade antes da gravidez.
  • Ganho de peso acima do esperado na gestação.
  • Pais ou irmãos com diabetes.
  • Diabetes gestacional em uma gravidez anterior.
  • Síndrome dos ovários policísticos.
  • Bebê anterior que nasceu com mais de 4 kg.
  • Pressão alta.

Ter um ou mais desses fatores não significa que você vai ter diabetes gestacional. Significa que vale ainda mais a pena cuidar da alimentação desde o início.

Como é feito o diagnóstico?

No Brasil, o diagnóstico segue duas etapas:

  1. Glicemia de jejum no início do pré-natal. Se o resultado ficar entre 92 e 125 mg/dL, já é diabetes gestacional. Se ficar igual ou acima de 126 mg/dL, o médico investiga diabetes que já existia antes da gravidez.
  2. Curva glicêmica entre 24 e 28 semanas. Se a glicemia de jejum veio normal, o próximo passo é o teste oral de tolerância à glicose com 75 g, a famosa curva glicêmica.
Momento da coletaDiabetes gestacional se o valor for
Jejumde 92 a 125 mg/dL
1 hora depoisigual ou acima de 180 mg/dL
2 horas depoisde 153 a 199 mg/dL

Basta um valor alterado para fechar o diagnóstico. A interpretação do exame é sempre do seu médico. Explico o exame em detalhes no artigo sobre curva glicêmica na gestação.

Quais os riscos para a mãe e para o bebê?

Quando a glicemia fica alta por muito tempo, o excesso de glicose passa para o bebê, que pode crescer acima do esperado. Isso aumenta a chance de parto mais difícil, de cesárea e de o bebê ter a glicose baixa logo depois do nascimento. Para a mãe, há mais risco de pressão alta na gestação e de desenvolver diabetes tipo 2 nos anos seguintes.

Esses riscos diminuem bastante quando a glicemia é controlada. O diagnóstico não é motivo para pânico: é o sinal de que agora é a hora de cuidar.

Como é o tratamento?

O tratamento tem três pilares, e todos caminham juntos:

  • Alimentação planejada para você. É a base de tudo e o primeiro passo depois do diagnóstico.
  • Atividade física, quando liberada pelo médico. Caminhar depois das refeições, por exemplo, ajuda a glicose a entrar nas células.
  • Medição da glicemia capilar (dextro). É ela que mostra se o plano está funcionando.

As metas usadas no Brasil para a glicemia capilar são:

MomentoMeta
Em jejumabaixo de 95 mg/dL
1 hora depois da refeiçãoabaixo de 140 mg/dL
2 horas depois da refeiçãoabaixo de 120 mg/dL

Se, mesmo com alimentação e atividade física, as metas não forem alcançadas, o médico avalia a necessidade de medicação. A insulina é a primeira escolha na gestação, e ela não substitui a alimentação: as duas trabalham juntas.

Como deve ser a alimentação?

A alimentação no diabetes gestacional não é uma dieta de restrição. O objetivo é manter a glicemia dentro das metas e, ao mesmo tempo, garantir energia e nutrientes para você e para o bebê. Os princípios gerais são:

  • Não cortar o carboidrato. O corpo e o bebê precisam dele. O que muda é a escolha, a quantidade e a distribuição ao longo do dia.
  • Fazer de 5 a 6 refeições por dia, sem ficar mais de 3 horas sem comer.
  • Combinar o carboidrato com proteína, gordura boa e fibras em cada refeição, para a glicose subir mais devagar.
  • Preferir alimentos integrais, legumes, verduras e frutas inteiras no lugar de sucos.
  • Evitar açúcar, doces e bebidas adoçadas no dia a dia.

Cada corpo responde de um jeito, e é por isso que o plano precisa ser individual. A quantidade de carboidrato no café da manhã que funciona para uma gestante pode elevar demais a glicemia de outra. Os registros do dextro mostram esse caminho. Veja mais no artigo sobre dieta para diabetes gestacional e conheça os 7 erros mais comuns.

E depois do parto?

Na maioria das mulheres, a glicemia volta ao normal logo depois do parto, e a medicação costuma ser suspensa. Mesmo assim, é importante repetir a curva glicêmica entre 4 e 6 semanas depois do parto e manter avaliações periódicas, porque quem teve diabetes gestacional tem mais risco de diabetes tipo 2 no futuro.

A amamentação, uma alimentação equilibrada e a atividade física ajudam a reduzir esse risco. É um cuidado que continua depois que o bebê chega.

Perguntas frequentes

Diabetes gestacional passa depois do parto?

Na maioria das mulheres, a glicemia volta ao normal logo após o parto. Mesmo assim, é preciso repetir a curva glicêmica entre 4 e 6 semanas depois do parto e manter avaliações periódicas, porque o risco de diabetes tipo 2 no futuro é maior.

Diabetes gestacional faz mal para o bebê?

Quando a glicemia fica alta por muito tempo, o bebê pode crescer acima do esperado e ter a glicose baixa logo ao nascer. Com a glicemia controlada, esses riscos diminuem bastante. Por isso o diagnóstico e o acompanhamento são tão importantes.

Preciso cortar todo o carboidrato?

Não. Cortar demais o carboidrato é um dos erros mais comuns e pode prejudicar você e o bebê. O caminho é escolher melhor, distribuir ao longo do dia e combinar com proteínas, gorduras boas e fibras.

Toda gestante com diabetes gestacional vai precisar de insulina?

Não. Muitas gestantes controlam a glicemia com alimentação, atividade física e melhora da qualidade do sono. Quando as metas não são alcançadas, o médico avalia e prescreve a medicação, e a alimentação continua sendo parte essencial do tratamento.

Ana Paula de Freitas

Ana Paula de Freitas

Nutricionista desde 2011, especialista em nutrição materna, CRN 3-33103. Pós-graduada em Nutrição Funcional Materno e Infantil pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Conheça a Ana

Referências

  1. OPAS, Ministério da Saúde, Febrasgo e Sociedade Brasileira de Diabetes. Rastreamento e diagnóstico de diabetes mellitus gestacional no Brasil. Brasília, 2016. Acessar
  2. OPAS, Ministério da Saúde, Febrasgo e Sociedade Brasileira de Diabetes. Tratamento do diabetes mellitus gestacional no Brasil. Brasília, 2019.
  3. Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes: diabetes mellitus gestacional.

O conteúdo deste site é informativo e não substitui a consulta individual.

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