Diabetes gestacional · Exames
Curva glicêmica na gestação: quando fazer, como é o exame e valores de referência
Por Ana Paula de Freitas, especialista em nutrição materna · CRN 3-33103
A curva glicêmica é um dos exames que mais geram dúvida no pré-natal. Aqui você entende para que ele serve, quando fazer, como se preparar e como ler os valores.
O que é a curva glicêmica?
A curva glicêmica é o nome popular do teste oral de tolerância à glicose, também chamado de TOTG. Ele mostra como o seu corpo lida com uma quantidade conhecida de açúcar: o sangue é coletado em jejum e depois de você beber uma solução com 75 g de glicose.
Na gravidez, os hormônios da placenta deixam o corpo mais resistente à insulina. O exame ajuda a identificar quando essa resistência passou do ponto e a glicemia ficou acima do esperado, o que caracteriza o diabetes gestacional.
Com quantas semanas fazer?
O período indicado é entre 24 e 28 semanas de gestação, quando a resistência à insulina já está mais evidente.
O exame é pedido para gestantes que tiveram a glicemia de jejum normal (abaixo de 92 mg/dL) no início do pré-natal.
Como se preparar?
- Faça jejum de 8 a 12 horas, conforme a orientação do laboratório. Água é liberada.
- Nos dias anteriores, mantenha a alimentação habitual. Cortar carboidratos antes do exame pode alterar o resultado.
- Leve algo para fazer: são cerca de 2 horas no laboratório.
- Leve um lanche para comer logo depois da última coleta.
Como é feito o exame?
- Coleta de sangue em jejum.
- Ingestão de uma solução com 75 g de glicose, em até 5 minutos.
- Nova coleta depois de 1 hora e depois de 2 horas.
Durante esse tempo, fique sentada, sem comer e sem caminhar, porque a atividade física também mexe na glicemia.
Valores de referência
| Momento da coleta | Diabetes gestacional se o valor for |
|---|---|
| Jejum | de 92 a 125 mg/dL |
| 1 hora depois | igual ou acima de 180 mg/dL |
| 2 horas depois | de 153 a 199 mg/dL |
Basta um valor alterado para o diagnóstico de diabetes gestacional. Valores ainda mais altos (jejum igual ou acima de 126 mg/dL ou 2 horas igual ou acima de 200 mg/dL) levam o médico a investigar diabetes que já existia antes da gravidez. A interpretação do seu exame é sempre feita pelo seu médico.
O que fazer se o resultado vier alterado?
O diagnóstico é comum e, com acompanhamento, a glicemia pode ser controlada. Os próximos passos costumam ser:
- Conversar com o seu médico, que vai orientar o acompanhamento do pré-natal.
- Ajustar a alimentação o quanto antes, com um plano feito para a sua rotina. Evite cortar tudo por conta própria: isso costuma trazer fome e não resolve.
- Começar a medir a glicemia capilar (dextro) nos horários orientados. Esses registros mostram se o plano está funcionando.
Quanto antes a alimentação for ajustada, mais cedo você tem registros para avaliar o que funciona para o seu corpo. No artigo sobre dieta para diabetes gestacional, explico os princípios da alimentação nessa fase.
Perguntas frequentes
Preciso estar em jejum para a curva glicêmica?
Sim. O jejum costuma ser de 8 a 12 horas, e nos dias anteriores a orientação é manter a alimentação habitual, sem cortar carboidratos. Confirme as instruções com o laboratório.
Posso fazer a curva glicêmica depois de 28 semanas?
Pelas diretrizes, o exame deve ser feito entre 24 e 28 semanas de gestação. Em situações específicas, o médico pode solicitá-lo em outro momento, de acordo com a avaliação dele.
Um valor alterado já é diabetes gestacional?
Sim. Na gestação, basta um dos três valores ficar acima do limite para o diagnóstico de diabetes gestacional. A confirmação e a conduta são sempre do seu médico.
Posso passar mal durante o exame?
Algumas gestantes sentem enjoo por causa do líquido doce. Se você vomitar, o exame precisa ser remarcado. Durante as 2 horas, fique sentada e evite caminhar ou comer.
Ana Paula de Freitas
Nutricionista desde 2011, especialista em nutrição materna, CRN 3-33103. Pós-graduada em Nutrição Funcional Materno e Infantil pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.
Conheça a AnaReferências
- OPAS, Ministério da Saúde, Febrasgo e Sociedade Brasileira de Diabetes. Rastreamento e diagnóstico de diabetes mellitus gestacional no Brasil. Brasília, 2016. Acessar
- Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes: diagnóstico de diabetes mellitus gestacional.
O conteúdo deste site é informativo e não substitui a consulta individual.